Zayiçe · Planetas no mapa natal · Marte
Marte
Toda ação que enfrenta resistência passa por Marte no mapa natal, e o custo surge quando o confronto passa a valer mais do que o objetivo da tarefa.
Marte é o primeiro empurrão. Na descida de uma rua de paralelepípedo, um carro morre e três vizinhos saem de casa para empurrar até ele pegar no tranco. Um grita a contagem, a dona, ao volante, solta a embreagem na hora certa, e os outros dois só empurram. O começo é a parte mais pesada, e é nele que a iniciativa se reconhece. Dali em diante, o esforço precisa de direção, porque empurrar para o lado errado só cansa quem empurra.
A mesma função aparece numa recusa dita em voz alta, quando alguém interrompe o que vinha aceitando calado. Quem recusa pela primeira vez uma hora extra sem pagamento sente o coração acelerar antes de dizer ao chefe que naquela noite não fica. Nesse instante, uma vontade sai do plano da intenção e passa a mexer com os outros, que também precisam reagir. No dia seguinte, o assunto volta à mesa com outro tom.
A função de Marte
Marte rege Áries. Cabe a esse planeta pessoal o terreno da iniciativa e do confronto, sempre diante de algo que resiste. Uma inquilina que cobra pela terceira vez o conserto do chuveiro já não pede com delicadeza. Ela marca uma data, avisa que vai descontar o valor do aluguel e desliga o telefone sem esperar desculpas. O dono do apartamento reclama do tom e manda o encanador na mesma semana. A ação ganha sentido pelo objetivo que persegue e pelo obstáculo que encontra no caminho.
Em alguns trechos da órbita, na chamada retrogradação, o planeta parece dar marcha à ré no céu, impressão que surge quando a Terra o ultrapassa. Marte precisa de cerca de dois anos para cruzar o zodíaco inteiro. Mesmo uma iniciativa pequena, como levantar a mão numa sala de aula cheia, já passa por essa função.
Marte nas relações
Quem propõe um programa sem esperar convite muda quem conduz o encontro. Dizer o que se quer fazer em companhia expõe uma vontade, e a resposta pode ser um não. Quem sempre espera o outro sugerir o filme também está escolhendo, só que sem se expor. Pedir primeiro e aguentar a recusa sem tomá-la como ofensa é trabalho de Marte nas relações. Numa amizade, é essa função que decide quem liga primeiro depois de um desentendimento.
Numa discussão sobre a divisão das tarefas de casa, alguém interrompe a outra pessoa antes que ela termine a frase. A pressa mostra urgência de agir e dificulta ouvir o que foi proposto. Quem interrompe costuma achar que está só adiantando o assunto. A conversa avança quando alguém diz com clareza o que quer mudar, por exemplo quem lava a louça nos dias de semana. Sem esse objeto definido, a briga passa a ser sobre quem vence, e a louça continua na pia.
Marte no trabalho e no dinheiro
Antes de decidir onde vão ficar as prateleiras, um rapaz já comprou a furadeira na loja de material de construção. O gasto nasce do impulso de começar, e a ferramenta vira promessa de ação. Se ela fica na caixa, lembra um projeto que parou no primeiro passo. Meses depois, a furadeira continua lacrada, e o rapaz já está de olho numa serra. Com Marte, gastar pode ser uma forma de dar a partida, e o dinheiro acompanha o ritmo da vontade de fazer.
Começar uma tarefa exige gastar fôlego antes de ver resultado. Num canteiro de obras, o mestre que começa a fundação no primeiro dia de sol ganha a confiança da equipe. Um obstáculo pede outra direção ou mais força, e a prontidão só rende enquanto não perde de vista o que precisa ser entregue. Em equipes com prazos curtos, esse impulso tira todo mundo da inércia e faz a primeira versão existir. A mesma prontidão atropela quem precisava de mais um dia para revisar. O ponto delicado está em ajustar o rumo depois que a coisa começou a andar.
Quando Marte pesa
Uma pessoa que trata cada obstáculo como desafio pessoal empurra com mais força justamente quando o caminho pede outra rota. O confronto ganha finalidade própria, e recuar parece entregar a vitória a quem fez oposição. Numa negociação de salário, recusar a primeira proposta é útil. Recusar todas, por princípio, só prolonga a disputa, e a pessoa sai da mesa sem o aumento e com a impressão de ter vencido. A disposição gasta passa a servir à necessidade de vencer, enquanto a tarefa fica esquecida num canto.
No escritório, uma funcionária aceita mais uma mudança de prazo sem dizer nada e fecha o notebook com mais força do que precisava. Nas semanas seguintes, esquece justamente as tarefas pedidas pela chefe. No aniversário dela, assina o cartão coletivo com uma letra mínima. Em casa, reclama da bagunça, do barulho e do cachorro do vizinho, e nunca do que de fato a incomoda. Ninguém na família entende de onde vem tanta implicância com o cachorro.
O que o restante do mapa muda
O signo de Marte muda o jeito de começar, a casa aponta onde a iniciativa se gasta primeiro, e um aspecto com Saturno pode frear uma largada que, em outro mapa, sairia sem hesitação. Duas posições diferentes podem produzir a mesma disposição para agir e resultados opostos na prática. Uma pessoa arranca depressa e cansa cedo. Outra demora a sair do lugar e sustenta o empenho muito depois que os outros pararam, sem que uma tenha mais vontade de agir do que a outra.